Em memória, Jayme

Em memória, Jayme
Ah! Se já se sabe,
Se teu corpo está no mar,
Se fizeram do oceano tua sepultura

É tudo imenso:
Imensurável a brutalidade
Imensurável o desvairio dos teus algozes
Imensa a tua cova
Imensa como era tua estatura

Se teu corpo está no mar
Se já se sabe onde é o teu jazigo

Onda após onda,
Corrente após correte, decerto
O mar há de te devolver à tua gente

Num dia em que a tempestade der
O Atlântico enfurecido te conduzirá nas suas vagas
E te devolverá ao teu povo
Naquelas praias tropicais da terra do Bráulio Cavalcanti

Ouçam operários de Fernão Velho e de Rio Largo
Ouçam camponeses da utinga
Ouçam estudantes da UFAL
Ouçam todos, povo simples de Ponta Grossa, de Bebedouro

Estivadores do Jaraguá!
Haverão de ter mil mares
Serão poucos para a sepultura de mil Jaymes.
No mar… logo no mar…
Nunca estancarão o mar!
Eliseu Elisei

One thought on “Em memória, Jayme

  1. Este poema é de Laudo Braga. Foi publicado sob pseudônimo no jornal Movimento e posteriormente num número especial da Voz do Povo em homenagem à memória de Jaime.

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