Jayme Miranda – Luiz Nogueira

Do que lembro, cheguei à Penitenciária Estadual, vizinha ao Quartel da Polícia Militar, no dia 04 de abril de 1964, por volta das 14.30 horas. Recebido pelo Coronel Argolo, alto, tipo atleta, um tanto gago, fui, por conta de possuir nível universitário completo, já formado em medicina, encaminhado para amplo salão, com vistas para o centro de Maceió, reservado ao Estado Maior da Polícia, quando detinha ou simplesmente respondiam a processos oficiais da Polícia e mais das vezes autoridades civis.

Poema AUTENTICIDADE

O que é ser autêntico? É ser coerente Com o trabalho Com os ideais mais belos Com a missão Os compromissos e as responsabilidades assumidas Pelo triunfo das belezas da vida! Em que consistem? No amor a vida, ao trabalho Às lutas do povo Aos sublimes ideais Das liberdades verdadeiras Dos emancipados nacionais, sociais, populares Pela paz, pelo futuro recriador da humanidade nova E todas as formas do amor Desde a fraternidade, a igualdade E ao amor entre um homem e mulher Pais, mães e…

Em memória, Jayme

Em memória, Jayme Ah! Se já se sabe, Se teu corpo está no mar, Se fizeram do oceano tua sepultura É tudo imenso: Imensurável a brutalidade Imensurável o desvairio dos teus algozes Imensa a tua cova Imensa como era tua estatura Se teu corpo está no mar Se já se sabe onde é o teu jazigo Onda após onda, Corrente após correte, decerto O mar há de te devolver à tua gente Num dia em que a tempestade der O Atlântico enfurecido te conduzirá nas…

Poesia em homenagem a Jayme Miranda

A busca. Lá da terra dos marechais Sonhando mudar o que não se muda, Nasceu esse rapaz, Em vermelho fez a vida, Travou luta perdida Como sombra vagou clandestino Subversivo! Bandido! Bradavam homens de bota Prisioneiro do ideal, No cárcere selou seu destino, Dizia sempre não como resposta Pensava nos filhos e na amada Para diminuir o peso da jornada Morto, esquartejado, jogado ao mar Ou terá sido ao Rio? De certo, ninguém sabe Desde aquele fevereiro anda sumido, A dor como queimadura Herança para…